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Christus vivit: migrante, a coragem de chamá-lo "irmão"

  • Foto do escritor: Paróquia São Tiago Maior
    Paróquia São Tiago Maior
  • 5 de nov. de 2019
  • 3 min de leitura


Um ano depois do Sínodo sobre os jovens, rapazes e moças do mundo refletem sobre a "Christus vivit", a Exortação do Papa Francisco. A migração tem uma face jovem. Quem deixa a própria terra, não mais habitável por violências ou calamidades, o Papa vê um “paradigma do nosso tempo”. Francisco escreve pensando nos muitos jovens que buscam novas oportunidades em outros lugares. Brenda, que reside nos Estados Unidos, afirma com a grinta própria da sua idade: a migração é bela, uma oportunidade de encontrar algo novo.

"Christus vivit"

(parágrafos 91-94)

Os migrantes como paradigma do nosso tempo

91. Como não lembrar os inúmeros jovens diretamente envolvidos nas migrações? Os fenômenos migratórios não representam uma emergência transitória, mas são estruturais. «As migrações podem verificar-se dentro do mesmo país ou entre países diferentes. A preocupação da Igreja visa, em particular, aqueles que fogem da guerra, da violência, da perseguição política ou religiosa, dos desastres naturais – devidos também às alterações climáticas – e da pobreza extrema: muitos deles são jovens. Em geral, andam à procura de oportunidades para si e para a sua família. Sonham com um futuro melhor, e desejam criar as condições para que se realize».[44]Os migrantes lembram-nos «a condição primordial da fé, ou seja, a de sermos “estrangeiros e peregrinos sobre a terra” (Heb 11, 13)».[45]

92. Outros migrantes são «atraídos pela cultura ocidental, nutrindo por vezes expetativas irrealistas que os expõem a pesadas decepções. Traficantes sem escrúpulos, frequentemente ligados a cartéis da droga e das armas, exploram a fragilidade dos migrantes, que, ao longo do seu percurso, muitas vezes encontram a violência, o tráfico de seres humanos, o abuso psicológico e mesmo físico, e tribulações indescritíveis. Há que assinalar a particular vulnerabilidade dos migrantes menores não acompanhados, e a situação daqueles que são forçados a passar muitos anos nos campos de refugiados ou que permanecem bloqueados muito tempo nos países de trânsito, sem poderem continuar os seus estudos nem expressar os seus talentos. Nalguns países de chegada, os fenômenos migratórios suscitam alarme e temores, frequentemente fomentados e explorados para fins políticos. Assim se difunde uma mentalidade xenófoba, de clausura e retraimento em si mesmos, a que é necessário reagir com decisão».[46]

93. «Os jovens que migram experimentam a separação do seu contexto de origem e, muitas vezes, também um desenraizamento cultural e religioso. A fratura tem a ver também com as comunidades de origem, que perdem os elementos mais vigorosos e empreendedores, e as famílias, particularmente quando migra um ou ambos os progenitores, deixando os filhos no país de origem. A Igreja tem um papel importante como referência para os jovens destas famílias divididas. Mas as histórias dos migrantes são histórias também de encontro entre pessoas e entre culturas: para as comunidades e as sociedades de chegada são uma oportunidade de enriquecimento e desenvolvimento humano integral de todos. As iniciativas de hospitalidade, que têm como ponto de referência a Igreja, desempenham um papel importante deste ponto de vista e podem revitalizar as comunidades capazes de as praticar».[47]

94. «Graças à variada proveniência dos Padres [Sinodais], o Sínodo permitiu o encontro de muitas perspetivas relativamente ao tema dos migrantes, sobretudo entre países de partida e países de chegada. Além disso, ressoou o grito de alarme das Igrejas cujos membros são forçados a fugir da guerra e da perseguição, vendo, nestas migrações forçadas, uma ameaça para a própria existência delas. O próprio facto de englobar dentro de si mesma todas estas distintas perspetivas coloca a Igreja em condições de exercer, em relação à sociedade, um papel profético sobre o tema das migrações».[48]Peço especialmente aos jovens que não caiam nas redes de quem os quer contrapor a outros jovens que chegam aos seus países, fazendo-os ver como sujeitos perigosos e como se não tivessem a mesma dignidade inalienável de todo o ser humano.

 
 
 

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