top of page
Notícias em Destaque

Abismo da consciência

  • 1 de mar. de 2018
  • 4 min de leitura

O “abismo da consciência” é o núcleo determinante da conduta humana. É o lugar mais importante da configuração da personalidade e da definição do caráter, onde se encontra a “central de comando”, que pode orientar uma conduta digna. Por isso, requer permanentes investimentos e cuidados, fundamentais para que o ser humano não seja instrumento de psicopatias, dubiedades e descompassos - males que atrapalham a regência adequada das relações sociais e políticas. Cada indivíduo é responsável por sua “central de comandos”, mas conta também com os tecidos institucionais e a rede de relações sociais para alcançar o equilíbrio necessário à convivência, ao respeito, ao compromisso com a justiça e com o bem comum. Ainda assim, é oportuno destacar a dimensão do “abismo da consciência” e sua relevância. Sua materialidade e formalidade ético-moral são tão amplas que permitem fazer uma correlação com o número de sinapses cerebrais – semelhante ao de uma galáxia. Essa complexidade e centralidade torna possível reconhecer uma necessidade: o “abismo da consciência” carece de uma luz que não lhe é própria, vem da Luz maior. Sem a Luz maior, o “abismo da consciência” perde seu rumo, encobre-se de escuridão. E as escolhas tornam-se comprometidas, os discernimentos não são orientados pelo amor e honestidade. A presidência da conduta pessoal passa a ser regida por parâmetros desastrosos. Por isso, há urgência em deixar que a Luz maior encontre o “abismo da consciência”. Abrir mão dessa Luz e pretender reger-se por conta própria é arriscado. Isso fica comprovado quando são observados os descompassos que afligem a humanidade, em razão de escolhas obscuras, mesquinhas, e da indiferença que ameaça a paz mundial. Os fundamentos da consciência, assimilados sempre nos processos educativos, familiares, culturais e religiosos, precisam ser tocados pela Luz maior. Para isso as pessoas precisam vivenciar, no cotidiano, a espiritualidade que reúne o conjunto das experiências pessoais e comunitárias, sociais e políticas, tocadas pela presença de Deus. A espiritualidade ultrapassa, assim, o aspecto devocional e as práticas simplesmente piedosas. É um diálogo permanente e indispensável com Deus, porque só Deus alcança as profundezas do “abismo da consciência” de todos. A indiferença e a ausência de esforço para essa imprescindível busca por Deus são incapacitantes. Deixam as pessoas sem condições para reger a própria consciência. A dimensão abissal da consciência precisa ser preenchida com valores e referências capazes de manter as atitudes individuais nos parâmetros éticos. E o “abismo da consciência” não é simplesmente controlável por mecanismos sociais. Esses mecanismos têm força reguladora indispensável, mas o alcance é limitado. O necessário equilíbrio humano requer mais que a dimensão organizacional e sistêmica da configuração social, política, cultural e religiosa de um povo ou nação. Mesmo porque está em permanente ebulição a vida de grupos diversos, segmentos políticos e culturais, povos e etnias. Rumos inadequados são dados a processos, escolhas equivocadas enrijecem e enfraquecem as instituições. Há pouca versatilidade para oferecer respostas aos problemas contemporâneos e priorizam-se as ações que buscam apenas as benesses, a satisfação da mesquinhez de grupos familiares, políticos, religiosos e tantos outros. Resultado da desarticulação do “abismo da consciência”, que traz consequência avassaladora para a conduta humana. Sinais de que a luz própria da razão, que é indispensável, ao mesmo tempo é insuficiente para garantir atos e escolhas corretos. Essencial é o investimento nas dimensões humana e espiritual capazes de fazer brilhar, no “abismo da consciência”, a Luz maior. Esse é um passo decisivo para evitar que se repitam as muitas irracionalidades que ameaçam a vida: as guerras, as catástrofes causadas pela ganância que dizimam o meio ambiente, além das disputas ferrenhas e manipulações que ocorrem nas instituições e refletem escolhas fundamentadas na mediocridade. É preciso evitar que a sociedade continue a sofrer com as graves perdas, que atingem, de modo ainda mais forte, a vida dos pobres. Nesse sentido, vale seguir o exemplo de Santo Agostinho, apresentado na sua famosa e monumental obra Confissões, do século V. Nesse livro estão reunidos exercícios oportunos para este tempo da Quaresma, um investimento, pessoal e comunitário, na qualificação dos “abismos da consciência”. O convite é para a oração e o diálogo com Deus, de modo semelhante ao que fez Santo Agostinho. Que cada pessoa possa se dirigir à Luz maior, Deus, com as palavras e a oração desse Santo: “Que eu te conheça, ó conhecedor meu! Que eu também te conheça como sou conhecido! Tu, ó força de minha alma, entra dentro dela, ajusta-a a ti, para a teres e possuíres sem mancha nem ruga. Essa é a minha esperança e por isso falo. Nessa esperança, alegro-me quando sensatamente me alegro. Tudo o mais nessa vida tanto menos merece ser chorado quanto mais é chorado, e tanto mais seria de chorar quanto menos é chorado. Eis que amas a verdade, pois quem o faz, chega-se à luz. Quero fazê-lo no meu coração, diante de ti, em confissão, com minha pena, diante de muitas testemunhas. A ti, Senhor, a cujos olhos está a nu o abismo da consciência humana, que haveria de oculto em mim, mesmo que não quisesse confessá-lo a ti? Eu te esconderia a mim mesmo, e nunca a mim diante de ti.” Este é o caminho, o mais eficaz para iluminar com a Luz maior, que é Deus, o “abismo” da própria consciência.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

 
 
 

Comentários


Arquivo
Histórico
Postagens recentes
Busca por Tags

Paróquia São Tiago Maior

Rua Violeta de Melo,1020

Bairro Jardim São José

CEP 30820.470

Belo Horizonte / MG

 

  • Facebook
  • Twitter
  • YouTube
  • Instagram

Celebrações na Matriz:

Domingo -  9h e 18h

Sexta - 19h

Maria, Mãe do Bom Conselho:

Rua Desembargador Campos, 41 - J. Inconfidência

Sábado -18h30 e Quarta - 19h

São José Operário:

Rua Urucânia, 280 - Jardim São José

Domingo - 7h30 e Quinta - 19h30

Secretaria Paroquial:

Terça a Sexta - 8h às 11:30h e de 13h às 18h

Sábado - 8h às 12h

(31)  3412-4257

pstiagomaior@gmail.com

bottom of page